11.4.14

Arte de adultos

Conheça alguns dos profissionais baianos que trabalham com quadrinhos, expressão artística famosa no mundo inteiro

Thuanne Silva (Impressão Digital)

No passado, foram crianças e adolescentes que encontravam terreno fértil para aguçar a imaginação através das inúmeras histórias e desenhos dos gibis que liam, fosse por conta própria ou influência de outras pessoas. Mais tarde, se tornariam adultos talentosos, que ainda se encantam com os quadrinhos e fazem do amor pela nona arte uma forma de trabalho. Deste modo, quadrinistas, roteiristas e admiradores dos HQs, mostram que esta arte é sim, para todas as idades.
Turma do Fala Menino!

Luís Augusto, criador do Fala Menino!, não lembra quando as histórias em quadrinhos não estivessem presentes em sua vida ou na sua maneira de se comunicar com o mundo.  “Os gibis foram minha escola de desenho e meus desenhos eram o que eu tinha de melhor para mostrar”, relembra. Não existia um gibi dos anos 70 que ele não tivesse lido. “De Contos da Cripta, da antiga Editora RGE aos gibis dos Trapalhões, passando por tudo que era super-herói, Mônica, Denis, enfim…”, conta.

Valmar Oliveira começou nos quadrinhos através dos desenhos nos quais copiava os personagens das histórias que amava.  “Desde pequeno eu rabiscava e tentava emular o que eu via nas minhas revistas favoritas, acabei criando mais de 100 personagens, muitos eram simples cópias de outros personagens famosos”, releva o quadrinista. 






O primeiro contato de Antonio Cedraz, criador da Turma do Xaxado, com os quadrinhos foi aos 16 anos. “Minhas maiores influências foram as revistas da Luluzinha (Marge) e os desenhos do Mauricio [de Sousa] que chegavam através dos cadernos infantis, enrolados a mercadorias e vendidas na feira livre”, relembra.

Marcelo Lima, autor de O Quarto Ao Lado

O jornalista e roteirista Marcelo Lima, autor de O Quarto Ao Lado, também começou a se relacionar com as HQs na infância, mas as abandonou. Foi reencontrá-las com histórias como Watchmen  e Sandman.  “Fiquei louco, economizei toda a minha grana que recebia na época e gastei tudo com revistinhas”, diz. Ele revela que por influência das HQs, começou a criar suas primeiras histórias. “Fiz algumas HQs curtas quando estava na Faculdade de Comunicação e elas me abriram caminho para realizar projetos maiores. Atualmente, já não escrevo somente para quadrinhos mas eles foram minha primeira escola”, afirma.

Especificidades – “As HQs fazem parte do universo da arte. É uma forma de expressão artística que remonta à pré-história”, explica Valmar Oliveira, que além de quadrinista é educador e formado em Artes Plásticas.  A diferença entre os quadrinhos e as demais narrativas é o equilíbrio entre a escrita e os desenhos.  “Equilibrar estas gramáticas é uma fina arte  que determina o sucesso de uma história e é a principal diferença, ao meu ver, entre quadrinhos e qualquer outra linguagem”, opina Luís Augusto. Para Marcelo Lima “escrever um quadrinho é organizar espacialmente imagens, acrescentar textos quando houver falas e legendas e criar o ritmo da história através da sequencialidade”.

Personagem The Yellow Kid (Richard Outcault)

Origem e relação com os jornais - Embora a origem desta arte remeta aos tempos das cavernas, com as pinturas rupestres, o primeiro quadrinho como conhecemos hoje foi a tirinha de sucesso criada por Richard Outcault, Hogan’s Alley, cujo personagem principal era O Garoto Amarelo.  Ela teve sua estreia em 1895, no jornal New York World, o que comprova a forte ligação entre os jornais e os quadrinhos, através da publicação de tirinhas diárias. No Brasil, o que aconteceu não foi diferente. O italiano Angelo Agostini foi um pioneiros desta arte no país, no século XIX.

Entretanto, atualmente na Bahia quase não há espaço para os quadrinhos locais nos jornais e o pagamento não é um dos melhores. “Recebo hoje mais pela republicação de uma única tira em algum livro didático, do que por um mês inteiro de tiras inéditas feitas para o jornal”, explica Luís Augusto, que publicou por 14 anos diariamente no A Tarde. “Jamais consegui negociar um aumento. Os demais jornais do estado simplesmente eliminaram o espaço de quadrinhos”, complementa. “Não conseguimos penetrar em muitos jornais. Já promovi até uma campanha através do meu distribuidor mas as vendas foram mínimas”, destaca Antonio Cedraz.

Impressão Digital: produto laboratorial da oficina de jornalismo digital - Facom | UFBA (publicado em 11 de setembro de 2013)

21.3.14

Projeto Narrativas Gráficas

A partir de 15 de março, o projeto Narrativas Gráficas passa a fazer parte do dia-a-dia da RV Cultura e Arte. Com ele virá uma série de atividades relacionadas a artes gráficas, com destaque especial  para as histórias em quadrinhos. Serão encontros de fãs, bate-papos e  sessões de autógrafos com artistas e autores, oficinas práticas e leituras de portfólio com editores e curadores, ao longo de 12 meses, para quem produz ou só se interessa pela temática. As atividades são todas gratuitas e abertas ao público, mas para participar das oficinas práticas será preciso se inscrever.

Atividades

O projeto Narrativas Gráficas está dividido em três blocos, cada um com uma temática distinta, que se intercalaram durante a programação de doze meses. Conheça cada um deles.

Na teoria

O primeiro bloco temático vai contar com bate-papos e palestras que demonstrem de forma teórica aspectos importantes da produção gráfica. Nesse sentido serão duas linhas principais de atividades: encontros para fãs de quadrinhos e encontros com profissionais. Nos bate-papos de fãs, mediados pelos integrantes do blog baiano Quadro-a-Quadro, o público poderá discutir temas ligados a nona arte como personagens, autores e obras, passando por uma série de marcos referenciais para a linguagem, oferecendo aos participantes, portanto, bagagem cultural para a recepção de novos produtos do gênero. Já no caso dos encontros com profissionais, a ideia é verificar relatos pessoais sobre processos criativos e discutir aplicações das artes gráficas em diferentes linguagens como nas artes plásticas, no cinema e nos quadrinhos, ampliando a percepção do público.

 Na prática

O segundo bloco será composto basicamente por workshops. Seram incluídas neste bloco duas oficinais de quadrinhos para crianças, cada uma com duração de quatro semanas, que apresentará uma ideia geral sobre as histórias em quadrinhos, contribuindo assim para a formação de novos leitores. Em paralelo, outros workshops serão oferecidos para jovens e adultos. Serão eles:”roteirizando uma narrativa”; “desenho para quadrinhos”; “técnicas de reprodução”; “encadernação”; “modelagem”; e “animação em stop-motion”. O objetivo destes workshops é criar oportunidades de produção lúdica para o público em geral, além de oferecer novas ferramentas para amadores e futuros profissionais.

 A Crítica

O terceiro bloco vai contar com bate-papos com editores e curadores, além de leituras de portfólio. Para este bloco o interesse é criar um diálogo entre quem produz e quem valida produtos relacionados as artes gráficas esperando, dessa forma, colaborar para a profissionalização em Salvador.

Convidados

Victor Mascarenhas é escritor e roteirista. Iniciou sua carreira literária em 2008, com “Cafeína” (Fundação Casa de Jorge Amado), livro vencedor do Prêmio Braskem Cultura e Arte. Em 2011 foi um dos finalistas do Prêmio Off FLIP, e lançou seu segundo livro: “A insuportável família feliz” (P55, coleção Cartas Bahianas). No cinema, escreveu e dirigiu o curta Pop Killer (1997) e foi um dos roteiristas do longa metragem “Esses moços” (2004). Em 2013, lançou seu primeiro romance, “Xing Ling made in China”, pela Solisluna Editora e na sequência assinou, juntamente com Cau Gomez, sua primeira experiência como autor de quadrinhos,  ”Billy Jackson”, publicada pelo selo RV Cultura e Arte .

Marcelo Cassaro é desenhista, roteirista, editor e escritor de ficção. Nascido em 1970, começou a carreira profissional em 1985, nos Estúdios Mauricio de Sousa, como animador assistente e auxiliar de design. Foi contratado pela Abril Jovem em 89, como roteirista e desenhista de quadrinhos para as revistas Os Trapalhões, Aventuras dos Trapalhões, Heróis da TV e outras. Foi vencedor do Prêmio Abril de Jornalismo em 91, 92 e 94, na categoria “Roteiro de História em Quadrinhos”. Assinou como editor e roteirista os seguintes trabalhos: Holy Avenger, com Erica Awano, primeira HQ brasileira com mais de 40 edições nas últimas três décadas; Victory, primeira HQ com roteiro e arte brasileiros publicada nos Estados Unidos, pela Image Comics; Lua dos Dragões, uma das mais premiadas minisséries em quadrinhos brasileiras; e a série DBride: A Noiva do Dragão, também com Awano. Em 95 começou a Dragão Brasil, primeira revista mensal especializada em jogos de RPG (RolePlaying Games) e única a completar mais de 100 edições. Foi autor de RPGs baseados em videogames como Street Fighter, Final Fight, Darkstalkers e Megaman. É também um dos autores de Tormenta, o mais bem-sucedido cenário de campanha para RPG no Brasil; e 3D&T, jogo de RPG baseado em mangá e anime.  Atualmente é roteirista do mangá nacional Turma da Mônica Jovem.

DW Ribatski é artista plástico, ilustrador e quadrinista. Já colaborou com diversas publicações, como o caderno Ilustríssima da Folha de S.Paulo e a revista Superinteressante, entre outras. Nas HQs, publicou “Como na quinta série” (Balão Editorial, 2012), “La naturalesa” (coleção MIL, Cachalote/Barba Negra, 2011), “Vigor Mortis” (Quadrinhofilia/Zarabatana Books, 2011, com José Aguiar e Paulo Biscaia) e mais recentemente “Campo em Branco” (CIA das Letras, 2013, com Emilio Fraia).

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